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oLiMpÍaDaS gReGaS – rEcOmEçAr

 

Duas semanas desde o último post.

Quinze dias e a vida de Helena passa por uma reviravolta.

Ela enfrenta hoje mais uma dificuldade, mais um obstáculo ao seu sonho de ir às Olimpíadas.

Helena precisou tomar uma difícil decisão antes de continuar com sua recuperação e seus treinos. Percebeu que não podia mais conviver com a angustia e com a infelicidade. Por muito tempo conviveu com as duas, tentou supera-las, tentou modificar as situações que a angustiavam, a deixavam infeliz, mas as mudanças agora não dependiam só dela, dependiam também do seu parceiro de equipe.

Às vezes é preciso repensar o modo como encaramos a vida, como buscamos nossos desejos. Foi isso que Helena fez. Repensou, repensou, e doloridamente mudou seu trajeto.

Helena sabe que se não tomasse uma atitude agora jamais esqueceria a dor do pé esquerdo. A lembrança da dor estava impedindo-a de ser feliz e ela cansou de esperar a angustia passar.

Seu companheiro de equipe, com quem ela acreditava que estaria em todas as competições de sua vida, não deseja tanto quanto ela treinar para ir a Atenas. Ele não se sente preparado a se entregar aos treinos com afinco.

Eles formavam uma parceria perfeita, mas estavam em momentos diferentes da Vida, em ritmos diferentes. Essa disritmia deixava Helena angustiada, ela tentou por muito tempo fazê-lo acreditar que poderiam entrar em sintonia, comungar dos mesmos objetivos. Mas, não obteve muito sucesso. A transformação teria que vir dele.

Então, Helena precisou ser forte e decidiu seguir treinando sozinha, porque ela precisa de estabilidade, ela precisa de certezas, ela precisa estar confiante e segura para estar numa Olimpíada, seu grande sonho, para ser F E L I Z.

A separação não deixou mágoas, talvez fosse melhor que tivesse deixado, porque talvez assim fosse mais fácil seguir em frente sem querer olhar pra trás.

Helena já não pode mais ajuda-lo, ela chegou no seu limite, mas deseja de coração que ele tenha coragem, consiga superar seus medos, ser forte para romper as barreiras que o impedem de ser mais responsável nos treinos, de assumir compromissos, que o impedem de se dedicar, se doar, que o impedem de Ser Feliz e de Fazer Feliz.

Assim, Helena segue treinando em busca de seu sonho e sabe que viverá a comunhão de Vida e Sonho que tanto deseja. 



Escrito por Deise Warken às 11h34
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O l i M p Í a D a S    g R e G a s !

Faltam poucas semanas para o início das Olimpíadas, mas Helena não irá a Grécia.

Seu sonho sempre foi competir pela seleção brasileira de ginástica, desde menina treinou pra isso, mas em 2002 tudo começou a ruir.

Em 25 de setembro daquele ano, ao final de um exaustivo treino, sofreu uma queda e fraturou o pé esquerdo.

Helena viu seus planos se esvaírem. A dor que sentiu foi tão intensa que aquele momento a fez pensar ser impossível pisar com segurança novamente.

Mas, dois meses de fisioterapia foram suficientes para Helena acreditar que o acidente não fora tão grave e em breve voltaria a andar sem medo.

Em novembro de 2002 julgava-se apta a competir, tentou com afinco recuperar a forma e a confiança para realizar os mais difíceis movimentos na ginástica.

Seu desejo em voltar a competir era tão intenso que seu esforço muitas vezes ultrapassava o limite do razoável, e sua racionalidade controlada pela emoção levou-a ao ponto de negar a si mesma que o pé esquerdo ainda não se recuperara.

Até que um dia, em maio de 2003, em mais um treino exaustivo, outro acidente semelhante ao primeiro aconteceu e reabriu a fratura no pé esquerdo. A dor dessa vez foi maior, feriu mais, a recuperação foi bem mais lenta.

Helena passou meses evitando tratar adequadamente o ferimento, que tomou desastrosas proporções.

Quando chegou ao fundo do poço da dor, depois de cinco meses de sofrimento, Helena procurou ajuda médica, fez tratamento fisioterápico intenso, aos poucos a dor foi minimizada e ela voltou a caminhar, apoiando-se em uma muleta.

Em fevereiro de 2004 desfez-se da muleta, voltou a caminhar apoiando-se também no pé esquerdo.

Hoje, julho de 2004, mais de um ano depois do segundo acidente, cinco meses após abandonar  a muleta, Helena pisa o chão buscando firmeza. Todos os dias ao acordar ela tem a sensação, o medo de que ao pisar o chão com o pé esquerdo sentirá aquela mesma dor. Mesmo acreditando que o pé esquerdo está curado não se sente preparada à competir na Grécia, mas sabe que já pode treinar com esperança, que já está apta a preparar-se para a hora em que será confiante o suficiente para competir a competição que mais deseja.



Escrito por Deise Warken às 22h19
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CiTaÇãO

Não somos a mesma pessoa do ano passado; nem o são aqueles que amamos. Que boa sorte se, mudando, continuamos a amar a pessoa mudada.

Somerset Maugham (1874-1965), escritor inglês.



Escrito por Deise Warken às 17h53
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