Intimidades Públicas


A Estrela

                Manuel Bandeira

 

Vi uma estrela tão alta

Vi uma estrela tão fria

Vi uma estrela luzindo

Na minha vida vazia.

 

Era uma estrela tão alta!

Era uma estrela tão fria!

Era uma estrela sozinha

Luzindo no fim do dia.

 

Por que de sua distância

Para a minha companhia

Não baixava aquela estrela?

Por que tão alto luzia?

 

E ouvi-a na sombra funda

Responder que assim fazia

Para dar uma esperança

Mais triste ao fim do dia.

 


Antes não tivesse a estrela aparecido,

antes a esperança não tivesse por tanto tempo existido.

Por que baixou a estrela se com o passar do tempo seu brilho se perdeu e meu brilho embora levou?



Escrito por Deise Warken às 17h48
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Fim de semana show!

Literalmente show.

Sexta a noite, churrasquinho familiar pra aquecer.

Depois um propósito: bater meu recorde de permanência dentro da Disco.

Por incrível que pareça foi mais fácil do que eu imaginava. Aliás, foi muito, muito fácil. A noite se estendeu até o amanhecer do dia, deixando um suave sorriso nos lábios, que permaneceu durante todo o fim de semana.

Sabadão, passeio no Parque das Aves, aproveitei pra descobrir algumas informações sobre aves que podem cair no vestiba.

À noite, um leve esquenta na casa do casal Rakelly e Scada, depois: ela, a estupenda, Zélia Duncan.

Uma hora e vinte de êxtase, um show que realmente desperta sensações, desejos, satisfação.

Isso sem falar nos reencontros que um evento desse porte proporciona a essa iguaçuense bairrista.

Ao fim do show, momento tietagem, fotos e autógrafos com a artista que é uma simpatia.

Pra encerrar a noite, Santos Dumont fez sala até as quatro e meia da manhã, numa madrugada de surpresas e volúpia.

O domingo tem o tradicional almoço de família, com direito a pesquisa sobre a árvore genealógica dos Warken, lembranças das peraltices da infância, reencontro com a jovem Deise de 1998. Seis anos realmente já fazem diferença na imagem de uma pessoa.

Pra fechar o domingo e iniciar a semana com chave de ouro agradável aniversário da Andréa David, que sabe receber amigos como ninguém.

Hoje cedo Princesa dos Campos as seis da matina. Chegando em cobracity direto para o cursinho.

E a semana começa diferente da semana passada, com uma carga menos pesada nos ombros.

Graças a Deus!



Escrito por Deise Warken às 15h08
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Dizem por aí que coincidências não existem.

Será que até pequenas situações cotidianas também não são apenas acasos?

Fato 1: Preciso deixar de recordar os últimos 3 anos da minha vida pra deixar de sofrer.

Fato 2: Vou a Foz no fim de semana, rever a família, a galera, e ver o show da Zélia Duncan no sábado.

Fato 3: Hoje na aula de português do cursinho trabalhamos a música Vou tirar do dicionário a palavra você, interpretada pela Zélia.

 

Será o acaso? Ou será o universo conspirando pra me ajudar a deixar o sofrimento pra trás?



Escrito por Deise Warken às 16h10
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 Vou tirar do dicionário a palavra você

(Itamar Assumpção/Alice Ruiz)

 

Eu vou tirar do dicionário

A palavra você

Vou troca-lá em miúdos

Mudar meu vocabulário

e no seu lugar

vou colocar outro absurdo

Eu vou tirar suas impressões digitais

da minha pele

Tirar seu cheiro

dos meus lençóis

O seu rosto do meu gosto

Eu vou tirar você de letra

nem que tenha que inventar

outra gramática

Eu vou tirar você de mim

Assim que descobrir

com quantos "nãos" se faz um sim

Eu vou tirar o sentimento

do meu pensamento

sua imagem e semelhança

Vou parar o movimento

a qualquer momento

Procurar outra lembrança

Eu vou tirar, vou limar de vez sua voz

dos meus ouvidos

Eu vou tirar você e eu de nós

o dito pelo não tido

Eu vou tirar você de letra

nem que tenha que inventar

outra gramática

Eu vou tirar você de mim

Assim que descobrir

com quantos "nãos" se faz um sim



Escrito por Deise Warken às 16h10
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NOVAMENTE ELES, OS FANTASMAS

 

Na oscilação entre dias tristes e felizes, hoje mais uma vez foi a voz da tristeza quem gritou.

A angústia dentro do peito parece que vai transbordar.

São tão difíceis os dias melancólicos, são tão difíceis as horas que não passam.

A semana foi superprodutiva, trabalho, estudo, até entrevista em programa de televisão eu dei; foi também carinhosa, pelos reencontros, telefonemas de amigos,...

Mesmo assim a dor insiste em coçar por dentro. A dor é física.

A decepção é latente. As descobertas das perfídias vividas levam ao descontrole, ao crescimento vertiginoso da mágoa.

A esperança ainda existe, mas não impede a aflição de tomar conta, a tristeza de deprimir.

Aquela tristeza que num repente volta e se instala, e insiste em ficar.

Os fantasmas permaneceram a noite toda atormentando meu sono, acordaram comigo e estão agora ao meu lado, não me deixam em paz há meses, anos.

Por quê não consigo manda-los embora, por que os continuo atraindo pra minha vida?

Por que eles se tornaram fantasmas?

Por que ainda tenho que reviver tudo isso? Será que ainda não sofri o suficiente?

Sei que tenho que passar por isso, que Deus está ao meu lado e que tudo vai ficar bem, mas especialmente hoje a dor me faz ser ingrata, leva o conformismo embora e deixa a revolta tomar conta.

A dor me faz questionar, me faz bradar por felicidade, por paz.

PAZ ! ! !

Há quanto tempo a persigo?

Há quanto tempo por ela clamo?

O que estou fazendo de errado que nunca a alcanço?

O nó na garganta dói como a dor de um escravo tentando libertar-se sem sucesso das correntes que o aprisionam.

É a dormência nas pernas, a pressão que cai, o desalento que sobe.

Desabafar talvez traga o alívio.

Exercitar a paciência talvez seja a solução.

Enquanto a decepção esfria o coração, as lágrimas aquecem a face na esperança de expulsar o tormento, a sensação penosa do sofrimento.

 



Escrito por Deise Warken às 17h36
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De volta pra casa – parte II

 

 

Que bom que voltar pra Cascavel não significa apenas enfrentar as lembranças que entristecem.

Voltar a Cascavel significa também felicidade.

Felicidade no reencontro com o conforto inigualável da minha cama.

No carinho dos amigos do escritório, dos amigos da TV, dos amigos da OAB.

Na participação eventual da zorra que são os encontros de família na casa dos avós.

Felicidade ao receber as boas vindas de quem está aqui e desejou que eu voltasse.

Ao receber mensagens de saudades de quem ficou em Foz.

Felicidade no prazer de estar de volta ao magistério superior.

Isso porque a semana mal começou.

Apesar da dor, ventos muito bons estão soprando, e se renova a esperança de que a oscilação entre dias tristes e dias felizes dê lugar à dias mais felizes do que tristes.

 



Escrito por Deise Warken às 14h34
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De volta pra casa...

 

Depois de quatro meses e meio fora, estou de volta a Cascacity.

Novamente deixei Foz e a casa da Mãe.

Estou de volta à cidade estranha, mas à minha casa.

É difícil deixar Foz e tudo que ela representa, mas mais difícil é voltar a Cascavel e enfrentar tudo que ela já representou.

É duro passar pelos lugares e ainda ter viva a recordação.

É difícil saber que os fantasmas estão por toda parte, que atormentam em cada esquina, em cada paisagem, em cada nascer e pôr do sol.

É duro enfrentar o medo diário das escadas escuras.

É difícil conviver com a ausência.

É duro saber que a trajetória foi vibrante aqui, mas teve seu termo.

É difícil encarar a fraqueza, as recaídas, as atitudes estúpidas na madrugada depois do porre de boas vindas.

É duro ter a dúvida de que eu não tenha sido tão importante quanto imaginava que fosse, que a trajetória talvez tenha sido vibrante e marcante somente pra mim.

É difícil sentir um ódio no peito, uma frustração e querer esconde-lo, querer manter o sorriso otimista.

É duro, mas às vezes é preciso odiar, às vezes é preciso escancarar a frustração, o sofrimento que ainda está aqui e que precisa ser extravasado, precisa sair do peito pra não virar câncer.

É duro recomeçar, mas é preciso.

Mais uma vez o recomeço.

Mais uma vez deixar muito no passado, esquecer.

Mais uma vez tentar novas conquistas.

Mais uma vez desejar transformar a utopia em realidade.

Mais uma vez se conformar com o que não se concretizou, esperar a dor passar e um novo amor chegar.



Escrito por Deise Warken às 11h55
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Ontem num bate papo com amigos falamos muito sobre relacionamento, hoje li um artigo publicado pelo psicanalista Paulo Sternick que tratava justamente disso. Gostei muito do texto, por isso compartilho um trecho dele com vocês, caros leitores desse humilde blogo.



“Duas pessoas que se amam devem estimular entre si não apenas um vínculo erótico, mas de lealdade, confiança, afeição e criatividade.
'De tudo ao meu amor serei atento, e com tal zelo.'
Nada mata mais um amor do que a falta de atenção, de lealdade, de zelo com o outro. Sem isso, crescem a desconfiança e os conflitos.
O verdadeiro amor – e não uma falsificação dele – deve proteger-se do assédio dos intrusos. Quando estamos num par, há momentos de crise e até de desânimo. Podemos sentir que estamos com a pessoa errada. Mas devemos esperar e ter paciência. O amor verdadeiro por uma pessoa é uma história que aconteceu, mas que ainda está por se realizar.
O amor pode renascer, sentimos falta da pessoa, de seu rosto, sua voz, suas idéias, seu cheiro, corpo e alma inigualáveis. O amor é esse eterno retorno de um forte sentimento. Não se trata apenas da saudade de um corpo, ou de um prazer sexual, mas do acordo que existe entre a atração física e a beleza da alma e do caráter, que se revelam – ou não -, aos poucos, na observação das atitudes e dos gestos da pessoa que amamos. E a lealdade é um elemento de alto quilate, seja na preservação do amor, seja na separação. Existem casais que vivem sob um pacto de fidelidade ao lado de outro de deslealdade: não traem um ao outro, porém escondem que não se amam mais.”


Escrito por Deise Warken às 12h03
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